Qualquer mudança institucional como a Revolução Liberal de 1820, a implantação da República em 1910 ou a Revolução dos Cravos em 1974-1975 tem inevitavelmente consequências linguísticas.

No caso do 25 de Abril de 1974, também as áreas linguísticas geralmente mais expostas à mudança social registaram certas inovações, segundo Margarita Correia: «[…] é natural que o léxico e a pragmática da língua portuguesa tenham sido profundamente afectados pela Revolução de Abril. No que respeita à pragmática, isto é, ao uso da língua, a diluição das barreiras, tão rígidas outrora, entre os membros dos diferentes estratos sociais levou a mudanças significativas. Sem querer entrar em pormenores, porque o principal objectivo deste texto é falar do léxico, lembrem-se, no entanto, algumas mudanças que se verificaram nas formas de tratamento: maior emprego de tu e você, a passagem de expressões antes marcadas como pertencendo a registos muito descuidados do uso da língua (calão) para a linguagem familiar (chato e chatear, por exemplo), ou a utilização desenfreada de alguns bordões linguísticos (suponho que a todos chama a atenção, ao assistir a reportagens da época, a frequência com que o bordão pá! era usado naqueles dias pós-revolucionários).»

Sobre as alterações verificadas no plano lexical, vale a pena continuar a ler o artigo aqui.

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